NICE PIC (desculpem o estrangeirismo) é mais uma brincadeira participativa deste blog. Sem qualquer combinação algum ‘colaborador’ me envia uma imagem.
O desafio é que embasado nas minhas impressões sobre a imagem, eu escreverei um breve conto.
Depois de escrito, esse colaborador nos conta o porquê escolheu a imagem. SIMPLES ASSIM!
Olhava a madrugada pela janela do quarto, seu rosto já não transmitia qualquer emoção.
Quem disse que ser bonita era fácil? Uma vida inteira com o ego insuflado, confetes intermináveis à linda cor dos olhos, a pele clara e macia, aos longos cabelos sedosos, ao porte elegante e suas curvas delicadamente sensuais.
Não tinha culpa se crescera com o barulho de tantos elogios, não teve culpa de acreditar que eles seriam eternos, assim como o assedio de seus muitos pretendentes. Possivelmente o excesso e a profusão de oportunidades amorosas fora o motivo de estar ainda sozinha a essa altura da vida, e a cada dia estava mais próxima do inverno.
Amigas não tinha, uma mulher bonita nunca tem amigas verdadeiras.
Nos últimos meses a melhor companhia foi de sua sobrinha de 19 anos e suas amigas, juntas passaram a frequentar as mais badaladas festas da cidade. Pensou que sua estrela ainda tinha brilho suficiente.
Entre gente jovem, bonita, que esbanjava energia e vitalidade, não precisou de muito tempo para descobrir que era apenas a “TIA” da carona. Queriam mais o seu carro que sua companhia. O publico masculino também não pareceu muito receptivo a quarentona fantasiada de adolescente. Definitivamente já não conseguia acompanhar aquela turma.
Com elogios extintos e eclipsada pelas jovens companheiras, não foi difícil a eleger o bisturi. Entregou-se sem delongas a mais renomada clinica da região.
Hoje, insone como de costume, observava a madrugada com a fisionomia impassível. Um pequeno erro de milímetros, uma fatalidade, e o afiado bisturi havia encontrado um nervo em seu rosto, agora irremediavelmente paralisado.
Nunca mesmo foi fácil ser uma mulher bonita...
Essa edição do NICE PIC, quem mandou a imagem foi minha amiga Carol, do blog
ELE NÃO! ELA SIM! E ela disse isso sobre a imagem dos patinhos:
“Esta imagem é a mais pura realidade de que até no reino animal há também preconceito com o que é diferente.
São animais de mesma espécie com distinção, apenas, na cor.
O que ocorre conosco. Somos seres humanos com coloração e pensamentos diferentes, mas não respeitamos isso.
Ainda creio que um dia tudo mudará e que o respeito existirá pelo que se pensa e como se age, e não pela cor da pele, ou das penas!”