Finalmente posou essa noite em terras gauchas o show N9VE de Ana Carolina, em comemoração aos seus 10 anos de carreira. Para quem conhece o Pé de Feijão há algum tempo sabe, eu falando em Ana Carolina, está longe de ser novidade. (1, 2, 3, 4, 5)
Como sempre eu ressalto que minhas altercações são feitas por um leigo, um fã, alguém que está ali, oculto pela multidão, mas com uma urgência pela satisfação. Não tenho olho ou técnica para uma crítica profissional, então entenda que é só uma opinião.
Ver Ana cantando será sempre maravilhoso para mim, o resto, ainda que importante, acaba mesmo em segundo plano, e esse show de hoje deixou claro que ela precisa mesmo ser muito boa, porque o resto não ta ajudando muito.
O que teve de ruim:
Cenário pobre, não minimalista ou clean, mas pobre mesmo. O telão chega a ser ofensivo.
Curta duração do espetáculo. Um show que comemora o decanato deveria presentear mais os fãs. Deveria adornar esses anos de sucesso com muita música.
Os ‘efeitos cênicos’ prometidos não funcionam como poderiam funcionar. Fica parecendo um truque para disfarçar a falta de inovações realmente válidas.
A interação da Ana está cada vez menor com o público. Eu vou aos shows da Ana Carolina desde antes do seu BOOM na mídia e posso garantir que humildade anda meio escassa nos dias de hoje, coisa muito diferente do começo da carreira. Entendo que hoje ‘as’ fãns são mais entusiasmadas, e esse exacerbo de amor pode impossibilitar um diálogo mais bacana. É uma pena, pois nem receber o fãns depois do show ela recebeu.
O que teve de bom:
Os pot-pourris são ótimos, fazem um tour quase completo pelos sucessos da cantora.
Revisitar músicas de CDs antigos é um presente para quem acompanha toda sua carreira. Essas músicas, que não foram necessariamente grandes hits, rememoram ótimos momentos.
A banda toda em seu momento de percussão também elevou o nível do show duelando com Ana e seu poderoso pandeiro, mas não que isso seja uma novidade em seus shows.
Quem gosta de Ana Carolina, principalmente das primeiras fases, sabe que ouvir essas músicas novamente num show é muito bom e vale a apresentação. O resto é que poderia e deveria ser muito melhor, até pelo gabarito da cantora. Não acredito que seja a proposta do show essa coisa tão sem sal e sem brilho, mas caso eu esteja desinformado e seja esse o objetivo do show, ser quase inócuo, então ta tudo OK.
A verdade é que às vezes os shows que vêem para fora do eixo Rio - São Paulo acabam se reduzindo, se desmontando e se simplificando. Se for esse o caso, ai é pior, muito pior. Para preservação do meu bom estado de espírito vou desconsiderar essa hipótese.
Hoje durmo numa boa, com o tom grave de Ana Carolina embalando meu sono.