“Pra entender esse amor, é preciso virar o mundo de cabeça pra baixo”

Logo que o trailer surgiu na internet o filme já mostrou a que veio. Juntar num mesmo roteiro dois temas tão polêmicos era, no mínimo, muita coragem. Seria necessário?
Eu tenho nos meus valores um cristianismo católico profundamente arraigado, minha percepção do mundo é orientada sob essa ótica, no entanto não comungo de 100% das doutrinas e dogmas da Santa Igreja, mesmo assim foi nela que aprendi que sou um filho de Deus. É o que eu sempre digo, a Igreja é de Deus, mas é feita por homens, e homens erram, e erram muito.
Digo tudo isso por que o filme toca em dois pontos nevrálgicos: HOMOSSEXUALIDADE e INCESTO. Fui ver o filme com receio desse choque de ideologias.
O longa de Aluizio Abranches tem duas partes distintas.


Depois disso tudo é que fui entender que o filme não faz apologia nem levanta bandeiras ao incesto ou a homossexualidade, isso é quase um pano de fundo, o filme traz apenas uma historia de amor. Um AMOR que aconteceu por acaso entre dois homens, por acaso entre dois irmãos. Não há confusão entre o amor carnal e o fraternal. São coisas distintas e sempre serão, calhou de acontecerem juntas.
O que o povo vai achar disso? Não faço a menor idéia. Espero que vejam o filme para depois se posicionarem sobre o assunto. Ou que assistam ao filme e depois curtam uma cervejinha com os amigos, afinal, não é uma revolução.
Sei que há comentários dizendo que tudo no filme é meio ‘comercial de margarina’, os conflitos e os preconceitos parecem não invadir a vida dessa família. É verdade. O filme é realmente um parque de diversões com pessoas ricas, bonitas, bem resolvidas e profissionalmente realizadas. Isso porque o foco do filme era outro. No entanto, acho que perdeu-se uma boa oportunidade de aprofundar a discução destes temas e seus inevitáveis conflitos.
Um filme leve e forte, polemico e sutil, profundo e superficial.
Um filme impar.
Um filme impar.